Gaiola Digital: Empresa investigada monitorava eleições em município da Amauc

por: Aliança News

Novos desdobramentos da Operação "Gaiola Digital", deflagrada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), revelam que a empresa Pública Sistemas de Tecnologia, de Blumenau, investigada por suposto direcionamento de licitações e corrupção em contratos públicos, também monitorava o cenário político de outro município da Associação dos Municípios do Alto Uruguai Catarinense (Amauc). As informações foram divulgadas pelo Portal A2.

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Conforme a publicação, além de Irani — município que foi alvo da operação —, outra prefeitura da região aparecia em conversas interceptadas durante as investigações. O conteúdo mostra que um dos sócios da empresa encaminhou a um colaborador uma lista de cidades classificadas conforme o grau de preocupação com o resultado das eleições municipais de 2024.

Na relação, os municípios eram identificados com observações como "tá tranquilo", "requer atenção" e "muito cuidado", indicando o nível de risco para a manutenção dos contratos após a troca de administrações. No caso da prefeitura da Amauc citada pelo Portal A2, a situação aparecia como "tranquilo", acompanhada do nome do prefeito eleito e da anotação "acesso liberado".

Segundo o Portal A2, ainda não há informações sobre os motivos que impediram a continuidade do suposto esquema nesse município. Como a prefeitura não foi alvo da operação, sua identidade foi preservada.

A reportagem também destaca que, de acordo com as investigações, os contratos firmados pela empresa Pública Sistemas de Tecnologia com diversos municípios catarinenses, considerados suspeitos, somam aproximadamente R$ 164,4 milhões.

Bloqueio de bens

Com a quebra do sigilo do processo, também veio à tona que o Ministério Público solicitou o bloqueio de bens dos investigados. Em Catanduvas, o pedido envolve três pessoas e cerca de R$ 563,7 mil. Já em Irani, a solicitação atinge duas pessoas, com bloqueio de aproximadamente R$ 485,7 mil.

A Operação Gaiola Digital investiga um suposto esquema de fraudes em licitações para contratação de sistemas de gestão pública, com suspeitas de direcionamento de editais, pagamento de propinas, lavagem de dinheiro e outras irregularidades envolvendo agentes públicos e empresários.