Morre o escritor Luis Fernando Verissimo, aos 88 anos

por: Aliança News

Um dos autores mais conhecidos e vendidos do Brasil e que dominou com maestria a arte do texto curto, o escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo morreu aos 88 anos. Recentemente, o jornalista havia sido internado com princípio de pneumonia na UTI do Hospital Moinhos de Vento em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, onde ele morava.

ATENÇÃO! QUER FICAR POR DENTRO DAS PRINCIPAIS NOTÍCIAS DE CONCÓRDIA E REGIÃO EM TEMPO REAL?

Os últimos boletins médicos indicavam que o estado de saúde de Verissimo era grave.Diagnosticado com doença de Parkinson, o autor teve problemas cardíacos em 2016, quando chegou a ser internado no mesmo hospital e precisou passar por cirurgia de implante de marca-passo. Em 2021, o escritor sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) em 2021 e lidava com problemas motores e de comunicação desde então.

Dono de um estilo que alia clareza, humor e uma afiada percepção da intimidade dos brasileiros, Verissimo escreveu mais de 70 livros, mas sua presença na vida nacional por mais de quatro décadas deve-se principalmente ao que publicou em jornais: tirinhas e crônicas, gênero em que se tornou especialista. Versátil, escreveu sobre política, economia, futebol, cinema, música, literatura e, acima de tudo, as “comédias da vida privada” – do namoro ao casamento, dos jogos de sedução ao sexo, da vida familiar às infidelidades, do choque de gerações aos choques culturais.

Entre 1982 e 1989, Luis Fernando Verissimo foi colunista de VEJA, assinando crônicas em uma página semanal de humor com tirinhas produzidas por ele mesmo.“Seu estilo é o que dizem bestamente de tantos – inimitável. Nenhum de nós, colegas de ofício, consegue fazer assim, desse jeito de quem não quer nada”, afirmou o amigo e também escritor Millôr Fernandes (1923-2012) sobre ele. Coloquial e direto, o texto de Verissimo podia variar no tema, mas nunca abriu mão da característica que o notabilizou: um traço humorístico inconfundível, pois incorporava a crítica.

Criador de personagens inesquecíveis, como o Analista de Bagé (o psicanalista “mais ortodoxo do que rótulo de Maizena”), a Velhinha de Taubaté (“a única brasileira que ainda acreditava na política”) e o detetive trapalhão Ed Mort, o escritor gaúcho também conquistou enorme sucesso como autor de quadrinhos: na tirinha As Cobras, que começou a ser publicada em 1975 no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, Verissimo sutilmente criticava a ditadura militar por meio dos répteis, que discutiam política e economia enquanto filosofavam sobre qualquer assunto, do surgimento da vida na Terra ao comportamento dos banhistas nas praias.

Fruto de seu amor pelos quadrinhos e “falta de habilidade para desenhar outros animais”, As Cobras foram desenhadas por Verissimo por mais de 30 anos. Só deixaram de ser produzidas em 1997, quando ele, após completar 60 anos, decidiu que “não ficava bem um sexagenário desenhando cobrinhas”. Diversas antologias publicadas ao longo dos anos, contudo, ainda reproduzem as melhores tiras.

Luis Fernando Verissimo começou a experimentar o sucesso comercial com o livro O Analista de Bagé, em 1981 – o psicanalista que segue a linha “freudiano barbaridade” e trata seus pacientes com métodos nada ortodoxos, como joelhadas nos homens e carícias nas mulheres.

Em dois dias após o lançamento, a obra estava esgotada e, oito meses depois, já estava na 50ª edição. Fenômeno nas livrarias, Verissimo ganhou sua primeira capa em VEJA. Desde então, foram mais de 280.000 exemplares, cifra que integra os cerca de 5,6 milhões de títulos do gaúcho vendidos até hoje. Seu maior sucesso, porém, é outro: As Mentiras que os Homens Contam, de 2000.


Fonte: Veja.com