Preço do suíno despenca R$ 0,50 e ACCS alerta para a maior crise da história recente da suinocultura

por: Aliança News

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) confirmou uma redução histórica no preço-base do suíno terminado da Aurora, que passou de R$ 5,55 para R$ 5,05 por quilo, representando uma queda de R$ 0,50. Segundo a entidade, trata-se da maior redução já registrada na história da suinocultura catarinense.

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O presidente da ACCS, Losivanio Luiz De Lorenzi, classificou o momento como extremamente preocupante e afirmou que a queda reflete a grave crise enfrentada pelo setor. "Realmente tivemos uma queda drástica no preço do suíno terminado, algo jamais visto na história da suinocultura. Isso mostra o reflexo da crise que estamos vivendo", destacou.

De Lorenzi explicou que o principal motivo para o cenário atual é o crescimento acelerado da produção nos últimos anos. Conforme os dados apresentados, entre 2024 e 2025 houve um aumento de 105 mil matrizes no mercado, além de ganhos significativos de produtividade, com mais leitões desmamados por fêmea e maior peso dos animais no momento do abate. O resultado é um volume muito maior de carne disponível no mercado.

Ao mesmo tempo, o presidente da ACCS ressalta que o consumo interno não acompanha esse crescimento. Segundo ele, o elevado índice de endividamento das famílias brasileiras reduziu o poder de compra da população, dificultando a absorção da produção.

Outro fator que agrava a situação é o custo de produção. De acordo com De Lorenzi, produzir um quilo de suíno custa atualmente entre R$ 6,00 e R$ 6,45, enquanto o produtor recebe, na prática, cerca de R$ 4,80 por quilo, acumulando prejuízos significativos.

"O prejuízo é insuperável. Não sabemos até quando os produtores conseguirão suportar essa situação", afirmou.

Apesar do Brasil registrar aumento nas exportações de carne suína, com cerca de 60 mil toneladas a mais embarcadas entre janeiro e maio em comparação ao mesmo período do ano passado, o crescimento não foi suficiente para equilibrar a oferta interna. Além disso, a valorização menor do dólar também reduziu a rentabilidade das exportações, gerando perdas estimadas em R$ 1.240,03 por tonelada exportada para as empresas.

Diante desse cenário, a ACCS avalia que será necessário reduzir o plantel para restabelecer o equilíbrio entre oferta e demanda. A entidade também revisou as expectativas para os próximos meses. Se antes havia projeção de recuperação do mercado a partir de setembro, agora a avaliação é de que não há elementos que indiquem uma melhora no curto prazo.

De Lorenzi reforçou o alerta aos produtores para que adotem cautela diante da instabilidade do mercado. "Hoje não dá mais para projetar um mercado promissor. A oferta de carne continua aumentando, enquanto o consumo e as exportações não conseguem acompanhar esse crescimento. O produtor precisa agir com muita prudência neste momento", concluiu.