Trabalhadores da Cidasc aprovam estado de greve após mudança nas escalas
Os trabalhadores da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) aprovaram, em Assembleia Geral Extraordinária realizada de forma virtual nesta quinta-feira (26), a entrada em estado de greve. A decisão ocorre após a presidência da companhia oficializar alterações nas escalas de trabalho enquanto a categoria ainda discutia o tema internamente.
A assembleia, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Estadual de Santa Catarina (SINDASPI), tinha como principal pauta a mobilização contra o fim da escala 24×96, modelo historicamente adotado por parte dos profissionais da companhia. No entanto, durante a própria reunião, a presidência da Cidasc publicou uma Ordem Executiva determinando a implantação definitiva das escalas 12×36 e 12×48.
A medida foi interpretada pelos trabalhadores como uma decisão unilateral e sem diálogo. Segundo o sindicato, a alteração desconsidera as especificidades das atividades técnicas desempenhadas pela categoria, especialmente aquelas ligadas à fiscalização e ao trabalho em campo, além de impactar diretamente a organização da vida pessoal e profissional dos servidores.
Durante a transmissão da assembleia, a liderança sindical afirmou que a aprovação unânime do indicativo de greve demonstra o grau de insatisfação da base. “Não aceitaremos que decisões que impactam profundamente a vida do trabalhador sejam tomadas de cima para baixo, sem considerar a realidade do campo”, destacou.
Com o estado de greve aprovado, a mobilização passa a ter como foco principal a revogação imediata da Portaria 02/2026, que formaliza a mudança nas escalas.
Entre os principais pontos defendidos pela categoria estão:- Revogação da Portaria 02/2026, com o cancelamento da imposição das escalas de 12 horas;
- Manutenção da escala 24×96, considerada pela categoria como adequada à rotina e às demandas do serviço;
- Abertura de um canal efetivo de diálogo com a presidência da companhia, para que as decisões sejam construídas de forma conjunta.
O estado de greve é uma etapa anterior à paralisação total das atividades e serve como alerta à administração. A partir de agora, os trabalhadores devem intensificar a mobilização e aguardar os próximos desdobramentos das negociações. Caso não haja avanço nas tratativas, a categoria poderá deliberar pela deflagração de greve nos próximos dias.