Dia do Jornalista! Não houve, não há e não haverá nada para comemorar
Ontem, dia sete de abril, foi comemorado o Dia do Jornalista. E acreditem! Não houve, não há e não haverá nada para comemorar.
Não quero dizer que isso se deve às condições de trabalho, políticas empresariais e salários. Nada disso! Me refiro a percepção popular, que infelizmente não está madura o suficiente para entender o trabalho da imprensa e seus profissionais e isso dificulta a propagação da boa informação. Podem crer que isso não vai mudar da noite para o dia. É um trabalho de mentalidade que levará anos para ser incutida. Até lá, a sociedade continuará a "gramear".
Com o advento das redes sociais, que também contribuem para a propagação da boa informação para um número maior de pessoas, esse mecanismo também se torna extremamente nocivo, quando mal usado. Esse mal uso coloca o bom jornalismo diante de uma tarefa inglória, árdua e, para mim, de derrota certa, o combate às fake news.
A gente que entende de comunicação fica assustado! É impressionante o número de informações falsas ou de caráter duvidoso que são tomadas como verdade pela população através das redes sociais. Todos consomem sem questionar a veracidade ou quem está propagando. Reputações são destruídas através de distorções propositais dos fatos, que são digeridos e tomados como verdade, porque são considerados verdades mesmo sem indícios de verdades. Nesse terreno, o lobo-mau vira ovelha ou o pastor.
Nessa onda de acreditar em tudo, quem falar a verdade, mesmo que ela não vá de encontro do que pensa a maioria, logo é tachado de vários clichês de quem não encontra na própria mentira uma sustentação de verdade. São vários adjetivos como extrema-imprensa, imprensa comunista, imprensa golpista e por aí vai....
Outro fato que impede qualquer tipo de comemoração é a confusão que ainda é feita entre crítica e ofensa. Toda crítica não é ofensa e toda ofensa jamais será sustentada pela crítica. É agressão! Isso o bom jornalismo não faz.
É papel natural e orgânico da boa imprensa apontar os problemas, colocar o dedo na ferida e incentivar a reflexão do povo. Isso tudo é feito com uma boa crítica. Aliás, o povo pode não concordar com a crítica. Essa posição será respeitada pelo bom jornalista. Porém, o público deve entender e respeitar a crítica, mesmo sem a sua concordância. Afinal de contas, o ponto de vista diferente sempre enriquece o debate.
Por fim, não houve nada para comemorar na passagem do Dia do Jornalista. Uma profissão que outrora já foi recheada de glamour, hoje tenta se reinventar e se reconstruir, diante da desconstrução das redes sociais, provocadas por quem tem interesse em acabar com o jornalismo crítico.
A natureza é diferente, mas a causa e efeito são as mesmas de outras tentativas de sufocamento do bom jornalismo que já aconteceram na história. O fio de esperança é que, até aqui, o bom jornalismo sobreviveu a esse obscurantismo de inteligência popular.