Gerência de Saúde: O primeiro desgaste do governo Carlos Moisés da Silva
Se eu fosse o governador Carlos Moisés da Silva eu iria rever a decisão de fechar algumas gerências regionais de Saúde em Santa Catarina. A medida, anunciada no dia de ontem de reduzir esse número a cinco macrorregiões e manter outras cinco, é mais uma tentativa do novo governo em enxugar a máquina. Porém, essa questão, na minha opinião, vai além da economia de recursos, vai atingir diretamente o atendimento em uma área considerada delicada, que é a saúde.
Essa pedra de que as regionais de Saúde poderiam ser fechadas já vinha sendo cantada desde a última semana, quando servidores da gerência em Concórdia lançaram uma carta aberta informando tal possibilidade, mesmo sem nada concreto naquele momento. Porém, o que era tratado como especulação foi confirmado na tarde da quarta-feira, dia 30.
Analisando a nossa situação, são os pequenos municípios que vão sofrer com o fechamento da Gerência Regional de Saúde em Concórdia e a transferência desses serviços para a futura gerência macrorregional em Joaçaba. Afinal de contas, muitos dos programas e ações que são desenvolvidas nas pequenas prefeituras na área da saúde, dependem do suporte do Estado, que é dado pelas Gerências Regionais. Agora, a procura terá que ser feita em Joaçaba, o que vai demandar de maior deslocamento e custos para as pequenas prefeituras. Isso é um efeito que já é possível cravar.
Sem falar no deslocamento de profissionais efetivos que aqui atuam para outras áreas ou até mesmo para a regional de Joaçaba, o que também vai redundar custos.
O governador Carlos Moisés da Silva, tão logo assumiu, vem pregando a necessidade de ter um estado enxuto e eficiente. Nesse ponto, eu concordo com ele! Afinal de contas, como já foi exaustivamente dito por aqui, é preciso reequilibrar as finanças do Estado para que se tenha capacidade de investimentos. Para isso, cortes em algumas áreas se tornam necessários.
Aí vem o porém! Economia de recursos não é somente passar a tesoura. É preciso saber onde e como cortar. Penso que qualquer contingenciamento na área da saúde vai proporcionar um resultado que passa longe da economia. Muito pelo contrário, é prejuízo para o atendimento a população e um inevitável desgaste para o Poder Público. E isso é só uma parte! A saúde sempre tem que ter aumento de investimentos e recursos, nunca uma redução. As demandas nessa área são constantes.
Na minha visão, se o objetivo é estancar a sangria financeira do Estado, o máximo a se fazer seria mexer na estrutura de cada gerência, remanejamento de profissionais e otimização de serviços, em parceria com as prefeituras por exemplo. Não extingui-las como está sendo feito.
O governo do Estado completa o seu primeiro mês, hoje, e já está se deparando com o seu primeiro desgaste.