MPT cobra R$ 20 milhões em ação contra a Sadia
Uma ação do Ministério Público do Trabalho (MPT) pode colocar em xeque o atual sistema de integração das agroindústrias de Santa Catarina. Na ação contra a Sadia que tramita na 1ª Vara do Trabalho de Chapecó, o procurador do trabalho Sandro Eduardo Sardá pede indenização de R$ 20 milhões por danos morais coletivos aos avicultores.
O dinheiro iria para um fundo que beneficiaria os produtores, principalmente os que tiveram problemas de saúde decorrente da atividade. O procurador pede, ainda, o reconhecimento de vínculo empregatício entre a empresa e os avicultores, adequação dos contratos para garantir o pagamento mínimo do custo de produção e indenização aos integrados que receberam menos do que este custo.
Um levantamento do MPT feito nos últimos dois anos analisou 3.843 pagamentos e constatou que 72,6% receberam valores inferiores aos custos de produção, estimados em R$ 7 mil por lote de frangos.
Sardá diz que foram feitas 30 audiências nos últimos dois anos. Ele apurou uma série de irregularidades na relação entre a empresa e os integrados. Entre os problemas, estão o não reconhecimento de vínculo empregatício, jornadas exaustivas e sem repouso semanal, imposição de contratos com cláusulas abusivas, exigências de investimentos e estabelecimento unilateral dos preços.