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Não adianta falar sobre o futuro da gestão sem falar dos problemas atuais

Data 11/04/2019 às 13:07
O foco da conversa está demasiadamente focada sobre municipalizar ou privatizar. Há pouca análise dos problemas atuais.
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Divulgação.
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Respeito todas as opiniões sobre qual caminho terá que ser percorrido tão logo termine esse contrato de concessão com a Casan em Concórdia. Afinal de contas, há vários pontos de vista de lideranças locais, jornalistas e população. Enfim, todos com uma visão sobre o que deve ser feito e exemplificando outros municípios que já tomaram uma decisão em relação ao abastecimento de água.

 

Porém, quero chamar a atenção de que existem modelos de sistema que, sim, funcionam em algumas cidades em Santa Catarina, sendo sistemas municipal, intermunicipal ou privado. Mas quero dizer que não existe, na minha opinião, nesse momento um modelo adaptável para Concórdia.

 

Alguns vereadores e lideranças de Concórdia já estiveram em Joaçaba e Capinzal, que são sistemas intermunicipais de captação, tratamento e distribuição de água. São modelos que funcionam, sim. E funcionam muito bem! Também houve busca de informações em Jaraguá do Sul e também em Caçador. No município do norte, não tenho informações sobre a sua eficiência. Na cidade do Vale do Rio do Peixe, uma empresa privada, por decisão judicial, assumiu nesta semana. Não dá para estabelecer avaliação neste momento.

 

Mesmo nas cidades onde o sistema funciona, como Capinzal e Joaçaba, eu vejo que isso por si só não pode ser o fator a ser levado em conta para trazer um desses modelos e implantar em Concórdia. Até mesmo porque se juntar a população de Joaçaba, Herval D'Oeste e Luzerna, não chega perto da população de Concórdia. 

 

Se for estabelecer esse mesmo paralelo com Capinzal e Ouro, a diferença é mais gritante. Os dois municípios, sequer, chegam a compreender metade da população da Capital do Trabalho. Alia-se a isso o fato de que o sistema intermunicipal dessas duas cidades foi concebido desde o seu início para ser de excelência na prestação do serviço. Filosofia que se manteve ao longo dos anos e hoje os frutos estão sendo colhidos.

 

Não é via de regra, mas quanto menor o município, menos complexo é o sistema neste caso. Entretanto, municípios maiores que Concórdia não tem tantos problemas como aqui. Mas isso tem explicação! Tanto é que a própria Casan reconhece que o sistema de abastecimento de água na Capital do Trabalho é um dos mais complexos de Santa Catarina. A dificuldade vai desde a distância que existe entre as estações de captação de água e a região central da cidade, relevo acidentado e bairros distantes do centro, além do terreno rochoso. A famigerada falta de investimentos que todos nós testemunhamos ao longo dos anos, ajudou a potencializar esse problema e hoje a Casan também é vítima desse problema que ela mesma ajudou a criar.

 

Diante disso, ouso dizer que neste momento não existe um modelo de sistema de captação e distribuição de água aplicável à realidade do município de Concórdia. Terá que ser algo a ser inventado. Para isso, é preciso minimizar, ou, eliminar as dificuldades que hoje existem no sistema atual, gerido pela Casan. 

 

O que eu quero dizer é que muito se fala em modelo de gestão que poderá ser adotado por Concórdia no que tange a água e que funciona em outros municípios. Mas não ouço ninguém discutir a possível eficácia das soluções já apresentadas pela Casan para tornar o sistema menos complexo ou levantar outras alternativas para diminuir essa dificuldade natural para a distribuição de água. Sinto falta de uma discussão mais profunda  sobre a receita para o sistema atender as necessidades atuais da população e deixá-lo pronto para expandir e acompanhar o crescimento da cidade. 

 

Qual a razão de estar falando isso? Se hipoteticamente a Prefeitura optar em não continuar com a Casan e uma empresa privada, por exemplo, assumir o sistema, esta vai se submeter as mesmas dificuldades que existem hoje. A não ser que ela mude tudo num toque de mágica e em poucas horas, como troca de canos, novas caixas e faça a captação do rio dos Queimados, mais próximo do centro! Daí, sim. 

 

Se não houver uma discussão e uma ação prática de verdade para minorar as dificuldades do sistema, de nada vai adiantar municipalizar ou privatizar, os problemas que a maioria enfrenta hoje , continuarão vindo a reboque lá na frente. 

 

 

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