Nuvem
Antigas

Novo sítio arqueológico é descoberto em Itá

Data 21/09/2011 às 09:05
Imagem
Compartilhe: Whatsapp Facebook
As cheias provocadas pelo excesso de chuvas dos últimos dias revelaram fragmentos de um passado distante em terras pertencentes ao município de Itá. Mais de 300 peças de cerâmicas indígenas foram encontradas ao acaso durante uma trilha de moto. Quem visualizou os objetos foi o itaense Marcos Maroso. Ele contou que estava iniciando o percurso de sua trilha nas proximidades da comunidade de Linha Fátima, quando na barranca do Lageado Jaraguá avistou um pedaço de cerâmica em uma área de terra deslocada pelas chuvas.

Maroso disse que começou a procurar por mais peças no caminho aberto pelo rio e encontrou diversos itens de cerâmicas com diferentes formas e tamanhos. "Minha reação foi juntar a maior quantidade possível, pois sabia que isso era uma grande descoberta. Ao mesmo tempo, fiquei preocupado que
uma nova cheia do rio poderia levar as peças embora". Maroso procurou a residência mais próxima para apanhar uma bolsa para guardar os artefatos. Ele ficou por mais de três horas salvando o que pôde.

As cerâmicas ficaram guardadas na casa de Marcos Maroso até que uma equipe de arqueologia do Centro de Memória da UnoChapecó pudesse se deslocar ao município. A arqueóloga Mirian Carbonera visitou o sítio na última terça-feira (13), coletou mais peças e reuniu também as apanhadas por Maroso. Os objetos foram levados até Chapecó onde estão sob os cuidados da Universidade.

Mirian Carbonera explicou que tudo indica que as cerâmicas são da cultura Guarani. "Estamos higienizando os materiais para depois aprofundarmos a pesquisa. Ainda é cedo para confirmarmos a idade exata das peças, mas elas podem ter entre 200 e 1.500 anos", informou Mirian. A arqueóloga também fará uma pesquisa bibliográfica para saber se este sítio já possui registro, caso contrário, fará o cadastro junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN.

As peças cerâmicas encontradas em Itá são consideras patrimônio da União, protegidas pela Lei Federal 3.924 do ano de 1961. "As pessoas devem ter o cuidado de não interferir nestes locais, pois trata-se da própria história do País", enfatizou Mirian. A arqueóloga deve solicitar à prefeitura de Itá o isolamento da área e fazer novas incursões no local nos próximos dias.

Em sua dissertação de mestrado, Mirian Carbonera destacou que analisou as pesquisas efetuadas pela arqueóloga Marilandi Goulart realizadas na década de 1980. No período foram escavados vários sítios arqueológicos bem preservados na área da Volta do Uvá contendo indícios principalmente das culturas Guarani e Jê. Agora, na tese de doutorado, Mirian busca entender os sítios arqueológicos que apresentam cultura material cerâmicas dos grupos Guarani e Jê e neste sentido tentar descobrir se foram ocupações em momentos diferentes, se houve convivência pacífica, disputa por territórios, entre
outros.

Na área inundada pelo reservatório de da Usina de Itá foram demarcados 201 sítios arqueológicos. Boa parte deles encontram-se submersos. Os artefatos encontrados nestes locais como ossos, cerâmicas e objetos de pedra lascada e polida estão guardados na Universidade Regional Integrada - URI, em Erechim-RS. Alguns exemplares de vasilhas, urnas funerárias e outros objetos também podem ser visualizados no Centro de Divulgação Ambiental - CDA em Itá.
Enquete
Clima
Tempo em Concórdia-SC
Nuvem
Umidade:
Vento:
Logo Whatsapp