Primeira extração de coração para transplante é realizado em Concórdia
Até o fim da noite desta terça-feira, dia cinco, o coração extraído de um paciente em Concórdia deverá estar batendo no peito de outra pessoa, em outro lugar do Brasil. Pela primeira vez na história, um procedimento de captação de coração para transplante foi realizado no Hospital São Francisco de Concórdia. A intervenção foi realizada na tarde desta terça-feira, dia cinco. O órgão foi retirado de um paciente de 36 anos com morte cerebral confirmada.
O procedimento foi feito por uma equipe do Instituto do Coração de São Paulo, o Incor. "Como o doador estava em boas condições, esse coração será levado para São Paulo para ser transplantado em um paciente que está na fila de espera, mas em prioridade", revela o o cirurgia-transplantador, o médico Ronaldo Honorato Barros dos Santos, que comandou a equipe do Incor em Concórdia.
Porém, a odisséia da equipe médica do Incor não pára por aí. Após a retirada do coração, há uma luta contra o tempo e a distância para levar o órgão ao paciente receptor. Aliás, enquanto acontecia a extração em Concórdia, o paciente beneficiado já estava sendo preparado em São Paulo. A distância de Concórdia a São Paulo terá que ser vencida em quatro horas, tempo necessário para que o órgão suporte fora do corpo humano e que não tenha rejeição no peito de outra pessoa. Para vencer essa distância, um jato trouxe a equipe da Capital Paulista para Concórdia e ficou o tempo todo com as turbinas ligadas no Aeroporto Municipal de Concórdia.
Desde que foi credenciado para extração de órgãos em 2007, o Hospital São Francisco de Concórdia também já realizou a captação de coração. Porém, somente as válvulas eram aproveitadas em função das poucas chances de aproveitamento do órgão em outra pessoa. O coração é um órgão praticamente sob-medida, desde o tamanho para o encaixe no tórax até o diâmetro das artérias são levados em conta para definir a compatibilidade entre doador e receptador.
Conforme o médico Ronaldo Honorato, a logística da equipe iniciou às 7h e a missão teve um objetivo que foi além de salvar outra vida. "Em função da escassez de órgãos, isso faz com que a gente faça essa movimentação entre os estados", justifica o fato de ter estado em Concórdia.
O coração em questão estava batendo no peito de Ricardo Bellan, que teve a morte cerebral confirmada ainda na segunda-feira, dia quatro, em função de um acidente de moto. Além do coração, foram extraídos os rins, o fígado e o pâncreas, esses outros foram retirados pela equipe da SC Transplantes e levados também de avião para Blumenau.
Esta foi a primeira captação de órgãos ocorrida no Hospital São Francisco de Concórdia em 2019. Desde que foi implantada a Comissão Intra-Hospitalar de Transplante de Órgãos e Tecidos, em 2007, essa foi a 49ª captação.