Rádio Aliança é a única emissora a manter contato por telefone com o concordiense que está no Haiti, em Porto Príncipe
O sargento concordiense, Gerson Roque Trecino, 36 anos, que compões uma equipe do 10º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército Brasileiro em Porto Príncipe, capital do Haiti, conversou por telefone com a reportagem da Rádio Aliança. Foi o primeiro contato após a comunicação ser restabelecida no país atingido na semana passada por um violento terremoto que matou aproximadamente 100 mil pessoas e deixou mais de 200 mil feridos.
Trecino contou que os corpos em decomposição estão causando um cheiro intenso. Muitas vítimas ainda estão sob os escombros. "As imagens devem ser mais fortes a partir das próximas horas", acredita. Conforme o sargento, as autoridades que estão no Haiti conseguiram montar equipes e dividir tarefas para ajudar as vítimas da catástrofe. "No início era muita pressão dos familiares e da população".
Segundo descreve Trecino, muitos pontos de Porto Príncipe ainda estão isolados devido a dificuldades de transitar com automóveis ou caminhões. Parte da população está com problemas para encontrar atendimento médico e enfrentando dificuldades para se alimentar. A água também continua sendo racionada no Haiti. "A água aqui é salobre devido à proximidade com o mar", lembra. Nesse momento, caminhões pipa estão abastecendo a população e os militares auxiliando na retirada das vítimas dos escombros.
Trecino deve ficar nos próximos seis meses no Haiti com um grupo de militares do Brasil. "A gente vai dar o melhor para ajudar esse povo que precisa de auxílio humanitário. Eles perderam praticamente tudo e a pobreza é muito grande", explica. O sargento de Concórdia conta que não sofreu ferimentos quando o tremor de terra destruiu Porto Príncipe. Ele estava na base do Exército e dentro de um contêiner que serve de moradia para os militares. "Podem ficar tranquilos que Concórdia está sendo bem representada".
Família continua preocupada
Dona Terezinha Trecino, mãe do sargento concordiense, recebeu nessa semana a ligação do filho no Haiti. Ela conta que foi aliviada quando ouviu a voz do sargento, mas chorou muito pensando que o pior poderia ter acontecido. "Eu rezei muito por ele". Terezinha afirma que continua preocupada, sabendo das dificuldades que o filho está enfrentando todos os dias em Porto Príncipe.