Reorganização da Celesc pode estar provocando descontentamento nos servidores
O pedido de exoneração do atual gerente Regional da Celesc de Concórdia, Jairo Antônio da Silva, na minha visão, escancara uma situação de descontentamento que existe dentro da companhia após o anúncio do processo de reorganização da empresa, que irá tirar o status de regional de algumas agências pelo estado e uma delas é a de Concórdia.
O documento foi publicado no site da Rádio Aliança e nele o atual gerente da Celesc pontua que esse processo é uma espécie de "prato feito", que faltou discutir isso com a comunidade e, pelo que entendi, com os próprios servidores. Por não compactuar com isso, ele deixou o cargo à disposição, mas mantendo-se na Celesc.
O fato descrito nesse comunicado revela uma possível situação de descontentamento que existe dentro da estatal com essas mudanças e isso não é somente aqui na regional, já que manifestações similares ocorreram em outras agências que estão para serem extintas.
O discurso da possível precarização dos serviços, colocado de forma subliminar na carta, é o mesmo que vinha sendo cantado e decantado como preocupação já manifestada por instituições como a Prefeitura de Concórdia, CDL e Fiesc.
Porém, no comunicado de Jairo Antônio da Silva, ficou explícito que faltou um debate prévio com os servidores sobre essas mudanças. A queixa é que o novo comando da Estatal projetou a reorganização, fez o anúncio e não ouviu os servidores e aí reside o descontentamento maior.
Entretanto, temos que deixar bem claro que a Celesc é uma empresa de economia mista, com a participação societária do Governo do Estado, com mais de 50% das ações ordinárias. O restante é de ações privadas. Trocando em miúdos, é uma empresa que visa lucro.
Por ser uma autarquia, vinculada ao Governo do Estado, a empresa tem orçamento próprio, arrecadação e decisões próprias. Portanto, o anúncio de reestruturação e a sua concepção, sem ouvir a comunidade ou os servidores, não foi feito de forma errada.
Talvez o equívoco, se ele for revelado no futuro, residirá no fato da direção da Celesc não ter aberto o debate com a sociedade, nem que fosse apenas para ouví-la. Afinal de contas, ela tem a concessão de distribuição de energia elétrica em quase todo o estado de Santa Catarina e seus serviços atingem a maior parte da população. Penso que seria importante ter a opinião da clientela sobre essa mudança.
Mesmo tendo essa autonomia para suas decisões, o que fez o comando da estatal optar por esse caminho, a Celesc também terá que ter jogo de cintura para lidar com os questionamentos e preocupações já manifestadas e com essa questão interna com parte dos servidores, revelado pela carta do Gerente Regional da Celesc de Concórdia. Também terá que lidar com um possível desgaste lá na frente, se a precarização dos serviços se confirmar com a extinção de algumas regionais.
Resumindo, o fruto a ser colhido lá na frente depende da semente que está sendo plantada agora.