Tragédia de Brumadinho! A negligência faz parte do nosso costume
O Brasil inteiro está chocado com a tragédia de Brumadinho! Algo que nunca deveria acontecer e aconteceu! Ainda mais depois de um episódio semelhante ocorrido há três anos em Mariana, também em Minas. Junto com a consternação e indignação vem uma saraivada de perguntas que ainda carecem de respostas: algo do tipo por quê? e como isso foi acontecer?
Vou tocar fundo na ferida! Na minha opinião, o que aconteceu em Brumadinho faz parte da nossa própria cultura. Ou seja, ser negligente é da natureza do brasileiro! Claro, não é uma negligência de alto potencial de risco, assim como o desmoronamento de uma barragem, por exemplo. São situações de menor proporção, mas que oferecem os seus riscos também: negligência do tipo dirigir falando ao celular, furar o sinal vermelho no trânsito, beber um pouquinho e depois pegar no volante!!! Essas situações que não é de todo mundo, mas é da maioria.
Se a negligência faz parte da nossa cultura nesses pequenos atos, ela se torna danosa na medida em que ela também se torna inerente nos mais altos escalões das empresas, corporações ou governos. Quando as decisões são para a coletividade, a negligência se torna mais perigosa. Ela nos impede a fazer mais do que o suficiente para garantir a segurança coletiva. Nessa situação, o suficiente puro e simples acaba sendo o extraordinário e desnecessário.
No caso de Brumadinho, vale lembrar que houve o rompimento de uma barragem três anos antes em Mariana. Parece que foram tomadas medidas preventivas, mas não o suficiente para evitar uma próxima que, infelizmente, aconteceu. Embora houvesse um laudo atestando a segurança, mesmo sabendo que ela tinha baixo risco e por outro lado feita de material considerado inapropriado para esse tipo de empreendimento, a impressão que se tem é que faltou a empresa ir além nos protocolos de segurança. Isso ficou explícito nas reportagens televisivas veiculadas até agora.
Mas não é só isso! A empresa não é a única a ter culpa no cartório. Soma-se a isso o Governo Estadual, que também apenas pode ter cumprido a legislação sem questionar ou ir a fundo nos quesitos de segurança para liberar a licença. Também o Governo Federal, que não trabalhou efetivamente em uma legislação muito mais dura e em regras muito mais rígidas para empreendimentos que ofereçam esse tipo de risco, seja ele maior ou menor.
Não se quer aqui apontar o dedo para culpados. Mas se quer mostrar que a nossa cultura da negligência pode nos tornar cúmplices de situações que diretamente não ajudamos a provocar, mas somos indiretamente culpados também. Em suma, temos o costume de não nos precaver adequadamente, porém sabemos como ninguém chorar o leite derramado.