Tremores de terra assustam moradores de Marcelino Ramos
Um fenômeno geológico está tirando o sono dos moradores de Marcelino Ramos, no Rio Grande do Sul, divisa com Alto Bela Vista, distante cerca de 50 quilômetros de Concórdia. Há pelos dois meses a população do pacato município com pouco mais de cinco mil moradores e conhecido em todo o Brasil pelas águas sulfurosas que brotam das fontes termais, registra pequenos tremores de terra. O fenômeno se caracteriza por um forte e rápido estrondo percebido com clareza, durante a madrugada.
Por enquanto, nenhum problema grave foi registrado na cidade, mas os ligeiros tremores são suficientes para deixar a comunidade em pânico. A preocupação vem justo no momento em que o Rio de Janeiro enfrenta deslizamentos de terra. Outra questão que é levada em conta são os tremores de terra no Haiti e Chile onde centenas de mortes foram registradas. Em Marcelino Ramos, epicentro dos pequenos tremores, parte da população acredita que a construção da Usina Hidrelétrica de Itá estaria associada aos fenômenos.
De acordo com o gerente da hidrelétrica, Elinton Chiaradia, algumas estações de monitoramento de abalos sísmicos em pontos estratégicos do lago funcionam em tempo integral. Ele explica que pequenos tremores são considerados comuns, mas em princípio não estariam associados aos estrondos, conforme relatado por moradores. O prefeito de Marcelino Ramos, Paulo Fernando Tapia, também confirma que tremores estão sendo sentidos no município, principalmente à noite quando o movimento de pessoas e o barulho no município são menores.
O professor do curso de geologia da Universidade Federal de Curitiba (PR), Paulo César Soares, acredita que o barulho é resultado do atrito entre rochas, colisão considerada normal para regiões com relevo acidentado, como o caso de Marcelino Ramos. O geólogo é especialista na área e revela ainda que o atrito entre as rochas é superficial, ou seja, a menos de 400 metros de profundidade e, por isso, é sentido pelo moradores e registrados em sismógrafos. O professor reitera que os moradores não precisam se preocupar, pois o fenômeno é a simples acomodação das rochas que não deve causar nenhum tipo de problema mais grave.