Comitiva de Concórdia retorna do PR com boas referências para ações voltadas aos imigrantes
Uma comitiva de Concórdia esteve na cidade de Toledo, no Paraná, na semana passada, para conhecer experiências relacionadas ao acolhimento, atendimento, empregabilidade e integração de migrantes. A missão técnica durou cerca de quatro dias e teve como objetivo buscar referências para a construção de uma política pública voltada à população migrante no município.
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A vereadora Rutineia Rossi, autora do projeto de lei que tramita na Câmara de Vereadores e propõe a criação de uma política municipal para migrantes e refugiados, participou da missão. Também integraram o grupo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação, Leocergio Sarturi, representantes da Associação Comercial e Industrial de Concórdia (Acic), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Fiesc, Instituto MBRF e profissionais da área de Recursos Humanos da MBRF.
Em entrevista à Massa FM nesta segunda-feira (17), Rutineia explicou que a visita a Toledo teve como principal objetivo conhecer, na prática, um modelo que vem sendo desenvolvido há cerca de 12 anos pela Embaixada Solidária, instituição que atua no acolhimento e na integração de imigrantes.
Segundo a vereadora, a experiência também mudou a percepção sobre como o projeto de lei que está em discussão na Câmara pode ser colocado em prática. A preocupação inicial era evitar que a legislação se transformasse apenas em mais uma norma sem efetividade.
Entre as experiências observadas em Toledo está o funcionamento de uma estrutura de acolhimento que auxilia os migrantes desde a chegada, inclusive com questões relacionadas à documentação, acesso ao trabalho e outras necessidades. A comitiva também conheceu um bazar mantido pela iniciativa, onde alguns dos próprios imigrantes trabalham.
Outro ponto destacado pela vereadora foi a participação da sociedade civil e do setor produtivo. Conforme ela, em Toledo o poder público atua principalmente como suporte e fomenta as ações, enquanto entidades e a comunidade participam diretamente da gestão das iniciativas voltadas aos migrantes.
A partir da experiência, a Câmara de Concórdia deve avançar na criação de um comitê com participação de diferentes setores. A proposta é envolver entidades, universidades, empresas e o poder público para ampliar o atendimento e o acompanhamento das pessoas que chegam ao município.
A questão da documentação é uma das preocupações identificadas durante a missão. Segundo Rutineia, muitos migrantes chegam sem os documentos necessários, o que pode dificultar o acesso ao mercado de trabalho e a outros serviços.
Crescimento da população migrante
Durante a entrevista, a vereadora também destacou o crescimento da presença de migrantes em Concórdia e a necessidade de criar mecanismos para acompanhar essas pessoas após a chegada ao município.
Ela citou estimativas que apontam para cerca de cinco mil migrantes na cidade, embora tenha ressaltado a dificuldade de manter um controle atualizado sobre essas pessoas depois que ingressam no mercado de trabalho e eventualmente mudam de emprego ou deixam o município.
Para Rutineia, a chegada de trabalhadores de outras regiões e países também representa uma oportunidade diante da falta de mão de obra enfrentada pelo município, pelo Estado e pelo país. Ao mesmo tempo, ela defende que o acolhimento precisa ir além da oferta de emprego.
A habitação foi apontada como um dos fatores que podem influenciar na permanência dos trabalhadores em Concórdia. O tema também foi identificado como um desafio em Toledo e já aparece entre as questões levantadas pela Embaixada Solidária nos estudos realizados em Concórdia.