Concórdia: Golpe das casas pré-fabricadas ressurge com nova roupagem e preocupa autoridades e empresários
Um golpe antigo, que há anos provoca prejuízos em diversas cidades do Sul do Brasil, voltou a fazer vítimas em Concórdia e municípios da região. Conhecido como o golpe da casa pré-fabricada, o esquema tem se reinventado com o uso das redes sociais, anúncios patrocinados e aplicativos de mensagens para atrair consumidores em busca do sonho da casa própria.
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Segundo relatos de vítimas e profissionais do setor, a maioria dos casos recentes envolve empresas que se apresentam como construtoras de casas de madeira ou pré-fabricadas, muitas delas com origem na Região Metropolitana de Porto Alegre, especialmente em Gravataí, além de cidades do litoral gaúcho.
A estratégia costuma ser semelhante. Os golpistas anunciam casas com valores entre 30% e 40% abaixo do mercado, utilizam fotos de obras prontas, depoimentos falsos e material publicitário aparentemente profissional para transmitir credibilidade.
Após o primeiro contato, a negociação avança rapidamente.
"Eles passam confiança, mostram projetos, enviam fotos, vídeos e até visitam o terreno do cliente. Em muitos casos, fecham o contrato no mesmo dia", relatou um empresário do setor que atua há décadas na região e acompanha o problema há anos.
Depois da assinatura do contrato, começam os transtornos. Em alguns casos, a obra sequer é iniciada. Em outros, a empresa executa apenas parte do serviço para demonstrar aparente comprometimento e continua solicitando pagamentos.
"Quando o cliente já pagou uma parcela significativa da obra, muitas vezes acima de 80% do valor contratado, os responsáveis desaparecem e deixam a construção abandonada", explica.
Histórico de investigações e prisões
A modalidade criminosa não é nova. Ao longo dos últimos anos, diversas operações policiais foram realizadas no Rio Grande do Sul para investigar empresas suspeitas de aplicar golpes na venda e construção de casas pré-fabricadas.
Em uma das investigações conduzidas pela Polícia Civil gaúcha, empresários foram presos preventivamente sob suspeita de fraude envolvendo dezenas de consumidores. As apurações apontaram que as vítimas eram atraídas por promessas de casas com preços muito abaixo dos praticados pelo mercado.
Segundo os investigadores, algumas obras ficaram apenas no alicerce, enquanto outras sequer chegaram a sair do papel. Em determinados casos, as empresas recebiam os valores de entrada previstos em contrato e interrompiam completamente o contato com os clientes.
Também houve registros de supostos golpes envolvendo dezenas de consumidores na região de Gravataí, reforçando que a prática vem sendo monitorada há anos pelas autoridades.
Empresas sérias também são prejudicadas
Além dos consumidores, empresários que atuam de forma regular no segmento afirmam que também sofrem os reflexos desse tipo de crime.
Um construtor com centenas de casas entregues em Santa Catarina afirma que frequentemente precisa orientar clientes desconfiados após terem contato com propostas consideradas irreais.
"Esses golpistas acabam prejudicando toda a cadeia do setor. Muitas pessoas passam a desconfiar de empresas sérias depois de ouvir relatos de vítimas. Nós trabalhamos há anos construindo credibilidade e, infelizmente, esses criminosos se aproveitam do sonho das famílias."
Segundo ele, preços muito abaixo do mercado costumam ser o primeiro sinal de alerta.
"Não existe milagre. Madeira, mão de obra, transporte e materiais têm custos. Quando alguém oferece uma casa por um valor muito inferior ao praticado pelas empresas consolidadas, é preciso investigar muito bem antes de fechar negócio."
O empresário também alerta para outro comportamento comum entre os golpistas.
"Eles criam uma sensação de urgência. Dizem que a promoção termina naquele dia ou que o preço só vale para quem assinar imediatamente. O consumidor precisa manter a calma e verificar todas as informações."
Como os golpistas agem
De acordo com relatos reunidos pela reportagem, os criminosos costumam:
Anunciar casas com preços muito abaixo do mercado;
Utilizar redes sociais para alcançar potenciais clientes;
Enviar fotos e vídeos de obras que nem sempre pertencem à empresa anunciada;
Fazer visitas rápidas para transmitir confiança;
Solicitar pagamentos elevados logo no início do contrato;
Utilizar empresas sem histórico conhecido ou com situação cadastral irregular;
Abandonar a obra após receber grande parte dos valores.
Em alguns casos, as supostas empresas sequer possuem estrutura física, funcionários registrados ou CNPJ ativo. Há situações em que os responsáveis utilizam empresas de fachada ou registros de terceiros para dificultar futuras cobranças judiciais.
Dicas para evitar cair no golpe
Especialistas e empresários do setor recomendam alguns cuidados antes de contratar qualquer empresa para a construção de uma casa pré-fabricada:
✔ Pesquise o histórico da empresa e procure avaliações independentes;
✔ Consulte a situação do CNPJ nos órgãos oficiais;
✔ Solicite referências de clientes antigos e visite obras já concluídas;
✔ Desconfie de preços muito abaixo da média do mercado;
✔ Evite pagamentos elevados antecipadamente;
✔ Exija contrato detalhado, com cronograma físico e financeiro;
✔ Verifique se a empresa possui endereço físico e estrutura operacional;
✔ Busque informações junto ao Procon e órgãos de defesa do consumidor;
✔ Em caso de dúvida, consulte profissionais da área ou pessoas que já contrataram serviços semelhantes.
O que fazer se for vítima
Quem suspeitar ter sido vítima desse tipo de golpe deve registrar boletim de ocorrência e reunir toda a documentação relacionada à contratação, como contratos, comprovantes de pagamento, conversas por aplicativos, e-mails, fotografias e materiais publicitários utilizados na negociação.
As autoridades reforçam que a denúncia é fundamental para identificar os responsáveis e evitar que novas famílias sejam lesadas.
Enquanto o sonho da casa própria continua sendo um dos maiores objetivos de muitas famílias, especialistas alertam que a cautela continua sendo a principal ferramenta para evitar prejuízos e impedir que golpes antigos encontrem novas vítimas na era digital.